Você já sabe que, dependendo do momento e da volatilidade do câmbio, as altas e baixas do dólar podem prejudicar a economia brasileira e por isso, o Banco Central dispõe de vários mecanismos para interferir no mercado de câmbio nacional.

Falamos no blog anterior, sobre uma das formas de atuação do Banco Central no mercado cambial: ele vende e compra swaps cambiais, que são operações de derivativos, onde o comprador recebe (ou paga, dependendo do comportamento da cotação do dólar) no seu vencimento a variação cambial ocorrida desde a sua contratação sobre um valor previamente estabelecido, ao mesmo tempo em que paga ao vendedor o acumulado da taxa de juros pré-fixada no período, subtraído do cupom cambial sobre o mesmo valor. Desta forma o BC, ao vender tais swaps, oferece proteção cambial aos interessados sem ter que entregar suas divisas.

Porém, existe uma segunda forma de atuação no mercado cambial utilizada pelo Banco Central: são as operações de leilão de linha.

O que são leilões de linha e para que servem?

 

Resumidamente, é a venda de dólares no mercado à vista com recursos das reservas internacionais, com compromisso de recompra.

 

Neste tipo de atuação, o BC empresta dólares das reservas internacionais brasileiras aos bancos por um prazo determinado e aceita depósitos em R$ em garantia. Com tais dólares, os bancos podem, por exemplo, financiar importadores e outros clientes que precisem honrar compromissos no exterior mas não possuam as divisas ou caixa em R$ para comprar dólares à vista no mercado. Os dólares assim emprestados aos bancos saem das reservas pelo prazo do empréstimo, voltando para as reservas no seu vencimento. Durante esse período, ficam no mercado, ajudando a dar liquidez e reduzindo uma pressão de alta do dólar. Já os R$ depositados pelos bancos no BC como garantia em tais empréstimos ficam bloqueados até o vencimento dos empréstimos.

Apesar de não ser um mecanismo que faça a moeda subir ou cair diretamente, a tendência é que este leilão evite uma valorização do dólar contra o real.

Como retornam às reservas cambiais, o BC considera que essas operações não impactam as reservas brasileiras.

 

Quando o leilão de linha é feito?

 

O principal indicador de falta de dólares no mercado é a elevação do cupom cambial que nada mais é do que uma espécie de “taxa de juros” do mercado cambial, referencial de custo para todas as operações indexadas ao dólar. Ou seja, se esta taxa sobe, indica uma menor oferta de dólares no mercado. É a lei da oferta e da procura. 

 

Nada impede que o BC faça ofertas, tanto no mercado à vista (leilão de linha), quanto no mercado futuro (swaps cambiais), se entender que o mercado está operando fora da normalidade

 

No entanto, quando está operando em sua normalidade, o mercado cambial passa ciclicamente por alguns momentos que são mais comuns a falta de dólar, dessa forma, o mercado já se prepara em determinados períodos, por exemplo, próximo ao final de ano quando empresas multinacionais remetem dividendos ao exterior ou em períodos que precedem datas de férias, quando muitos viajam e aumenta a procura pelo dólar.

 

Mas por que o BC prefere oferecer hedge ao mercado via swaps e não vende diretamente as reservas cambiais, da mesma forma que as comprou?

 

 

Vamos então voltar ao começo!!! Você sabe como se formam as reservas cambiais?

As reservas internacionais são formadas através de compras, por parte do BC, de divisas (dólares) no mercado à vista de câmbio junto a dealers (instituições financeiras credenciadas a operar com o governo) quando há uma oferta maior do que a demanda por divisas no mercado a determinado nível de preço. Os dealers compram os dólares junto a exportadores ou investidores que querem investir aqui e os revendem ao BC, que acha atrativo adquirir dólares naquele preço. O BC assim emite R$ em favor do banco vendedor das divisas e recebe, em contrapartida, os dólares no exterior. O banco por sua vez credita tais R$ na conta de seus clientes que lhe venderam as divisas, que são repassadas ao BC. Tais divisas recebidas pelo BC são investidas em títulos de renda fixa no exterior, normalmente de dois ou três anos de prazo, emitidos por instituições fortes e de elevada qualidade de crédito, como o tesouro americano, inglês, alemão, etc.

 

Agora sim, vamos a pergunta: Por que o BC prefere oferecer hedge ao mercado via swaps e não vende diretamente as reservas cambiais, da mesma forma que as comprou?

 

Elencamos aqui, alguns possíveis fatores: 

  • Reservas elevadas nos protegem durante crises de fluxo de capital estrangeiro. Se por algum choque externo o fluxo de divisas para o Brasil for insuficiente para cobrir nossas obrigações externas, o Banco Central sempre pode usar tais reservas para evitar que tal crise tenha um impacto mais dramático.
  • Reservas dão a nossos credores e às agências de classificação de risco um conforto que o Brasil terá recursos para honrar suas obrigações externas de curto prazo, caso ele queira usá-las para tanto. Este conforto impede que a taxa de risco país, que é cobrada quando empresas e o governo brasileiro captam recursos no exterior, aumente. As reservas elevadas acabam reduzindo assim o custo de capital de quem acessa linhas no exterior.
  • Reservas maiores significam que haverá maior abundância de divisas caso os investidores, que estejam com recursos de curto prazo aqui, queiram sair do país. Isto diminui o ímpeto na saída dos recursos e possivelmente, estimula a sua entrada.
  • Reservas maiores ajudam os bancos locais nas operações de crédito em moeda estrangeira. Os bancos locais se endividam lá fora em dólares para financiar suas operações de empréstimos em moeda forte. Caso haja um corte abrupto na oferta de linhas e de depósitos externos para estes bancos, haveria um aperto de liquidez que poderia reduzir de forma expressiva o crédito disponível para as empresas locais que dependem dos bancos para se financiar em dólares. Isto aumentaria a inadimplência e as perdas para os bancos.  As reservas elevadas dão conforto a tais bancos para que estes possam emprestar tranquilamente seus recursos captados no exterior por prazos mais longos, pois o BC atuará como um possível financiador em US$ nos momentos de crise cambial.

 

Esta blindagem externa também nos provê um “conforto” nos momentos de abuso fiscal (crescentes déficits fiscais e dívida do governo) ou monetário (inflação acima da meta e subindo) que, se caso as reservas cambiais fossem menores, poderiam reduzir fluxo de capital externo ao país e provocar a alta do dólar.

 

Curiosidade: Você sabia que em 30/11/2019 as reservas internacionais brasileiras somavam cerca de US$ 366,37 bilhões?

 

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